terça-feira, 9 de outubro de 2012

Não é o infinito.



Afirmar o fim da escrita para quem escreve
é como negar a incompletude da vida.
Voltar a expor meus sentimentos aqui
é perceber como senti falta de mim.
Tempos inconstantes te dão bagagem,
mas só o que fica registrado é verdadeiro
por isso não te apago com o toque dos dedos.
Meu caos toma forma, meu coração se fecha
e o passado assombra como lua cheia.
Ninguém consegue dormir sem
saudade, dúvida ou cansaço.
E eu, sozinha no meu quarto,
procuro algum retrato
que você não me deu.
Não. Nada.
Mas hoje eu acordei em paz
aquela que aparece no espaço entre o silêncio e a resposta,
pois o vento anunciou minhas convicções finitas
e me lembrou de uma época de travessia.
Enveredar-se pela vida deve ser isso
Sou eu
És tu
e, do outro lado,
Seremos nós.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Vou parar de escrever.



          Uma vez eu aprendi que quem escreve é porque está cheio de ausências, até quem escreve coisas belas. Não acreditei, pois foi uma coisa acadêmica, anotei no caderno como uma maneira de colocar em prática quando analisasse aquele verso mal colocado ou a vida de algum gênio infeliz. 
         Porém, depois de passar muito tempo sem escrever, eu pude perceber a minha vida sem ausências. Se escrevo agora é porque não posso caminhar, é noite, está frio e quem eu quero está ocupado. Me contento com algum telefonema e com a raiva mediante a incapacidade de me mover. 
        Já pensei em fazer disso um ofício, viver para tentar exprimir o que eu sentia através de palavras bem colocadas, mas desisti quando notei que elas eram idênticas e cansativas. Escrevia para poder falar o que não tinha coragem ou eternizar esses sentimentos escapáveis e sofríveis no final de cada feriado. Agora, posso ainda não falar tudo o que desejo, mas faço o que posso. 
       Ainda não tenho o que eu quero, é verdade e essa ausência não será preenchida tão facilmente porque não depende de mim, depende de um tempo e de um esforço de alguém que não quer tirar férias... mas não escrevo sobre isso, converso e deixo o diálogo sincero tomar conta de uma angústia disfarçada de rimas sem ritmo. 
      Noites preenchidas com calor de verdade, mãos entrelaçadas fortemente, mesmo sonolentas, medos e apertos que se colocados em um papel, formariam literatura nobre. Dias cheios de fumaça misturada com sol, pressa escorregadia, pulseiras trocadas como as palavras mínimas de dois amigos na lanchonete. Há tempo para olhar rápido, mas quem vê rápido não repara e assim, muitos amores vão embora entre falta de atenção e assentos preferenciais. Ausência? Nenhuma. Não se escreve mais sobre isso ou se escreve até demais e essa ausência é esquecida com o final de semana. Descansar é preciso, dormir não é preciso, escrever menos ainda. 
     Não escreverei mais com frequência, como uma necessidade absurda de demonstrar algo que eu tento saber o que é e que mesmo depois do texto completo, não há metade da vontade nas entrelinhas, mas não vou porque me entreguei a esse mundo cruel que suga os sentimentos e faz você se transformar em um robô, ou um gado, ou um alienado e tudo mais. Não é pura felicidade exacerbada ou simples falta do que falar.        
     Ainda questiono, ainda sinto, ainda choro, ainda vivo.
     Vou parar de escrever porque aprendi, sem a parte acadêmica, que minhas ausências desapareceram como as minhas lembranças e só voltarei a escrever quando eu achar que vale a pena ou quando eu achar que tudo não passa de um grande sonho.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As nossas vidas.




Será que a vida é isso mesmo?
Nos encontramos no trabalho
e conversamos sobre nossos amores
seu choro aparece fraquinho como quem diz
“é, ainda dói um pouquinho”
e eu te olho e sinto
“você precisa disso”.
Uma pausa na semana agitada entre choros, trânsito e cansaço.

Ninguém explica amizade verdadeira em pouco tempo
São almas que internalizam os mesmos desejos
A mão que abraça é a que te levanta
e assim, o tempo envelhece nossos sentidos.

Temos a música a nosso favor
o fôlego cotidiano no ar precoce
a imaginação na vontade acumulada
e a possível responsabilidade retorcida
No fim,
temos só a história
ou a saudade vivida

O que falta no outro infernal
sobra quando os olhos deixam de ser dedos
e o passar das horas deixa de ser obrigação

Afinal de contas,
a vida da gente é simbolizada
pela sala de café escura no meio de janeiro
a mesma sala que nos uniu como protagonistas
de um caminho cheio de verdades, emoções
e amor.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O meu canto daqui





Me desfaço entre teclas e passos a caminho de uma distração qualquer
A cidade está em festa e as ruas andam coloridas e barulhentas
Todo o sol guardado para abençoar uma terra cinza
todas as pernas expostas para deixar a paisagem bonita.
Absorta, deixo-me correr entre os carros
na tentativa de me fazer notar.
Mas nada me impede de chegar.
As pessoas reclamam da luz ainda acesa,
os quatrocentões relembram a época em que “a música era boa”
e eu choro por saber que uma hora o filme vai terminar.
Ou melhor,
que a segunda voz não canta alto o suficiente pra te acompanhar.
Me transporto para um tempo em que o sofrido fazia samba
e os bondes cansavam de tanto “trabalhar”
Um casal em preto e branco
um piano e um sorriso
e eu me perguntando:
“foi lá? É ainda lá?”
Minha parceria é com a calçada larga
compomos a sinfonia da razão
a música do sentido.
Sempre em frente.
Mesmo com a manifestação te chamando
indignada
indefesa
mas presente.
Penso que a calçada é cama
assim como teu chão já foi a nossa.
Recebo a primeira gota dos céus
no meu olhar de vidro
E deixo minha dor ser lavada,
mas ela não fica limpa.
Isenta de sensações
me despeço com um olhar agradecido
e com mãos cansadas
por eu mesma me abraçar.
Nunca vi um sabiá em São Paulo
mas ela é o meu lugar.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Um par.




Você me disse que, apesar de tudo, não me convenceu.
É verdade, ninguém ali queria provar nada,
era pura vontade de querer estampada em noite de quase véspera de Natal
na rua silenciosa,
como costumava ser.
Hoje ainda não estou convencida de nada,
você mesmo diz que repugna esses atos de convencimento,
a pessoa deve perceber sozinha o que seguir ou não seguir.
Eu sei que, depois de ter vivido e entendido,
tive a liberdade de escolher
e a sorte de você ainda me escolher.
E escolhemos nos amar mais uma vez,
em dia de quase véspera de Natal
ao som de chuva forte.
Escolhemos respirar fundo
com minha cabeça encostada no seu ombro
e você cantando músicas adolescentes.
Eu escolhi saber mais do seu passado escondido
e você escolheu uma maneira de dizer parte dele.
Juntos, eu posso dizer que formamos um par,
como letra e melodia,
sorvete de casquinha e tarde na Paulista,
Chico e Tom...
sofá e séries antigas
liquidificador e achocolatado
Vênus e Marte
tempo e amor.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O patinho ganhou acompanhante.




É engraçado pensar que seus momentos mais bonitos acontecem em anos pares. Já tentei entender porque fui mais feliz com 14, 16, 18, 20 e etc. (memória falha a minha, só lembro bem dessas idades...)
Pois agora, prestes a fazer 22 posso dizer que com 21 eu pude rever certos conceitos antes tão concretos na minha formação.
Minhas reflexões não serão longas como em todas as vezes que penso sobre o meu aniversário, justamente porque com 21 anos aprendi que é preciso ser conciso em tudo, até nas lembranças.
O amor simplesmente me apareceu de forma calma e madura aos 21 anos,
minha paixão por literatura resolveu me presentear com reconhecimento,
minhas ideologias foram questionadas com êxito e cansaço,
minha visão de mundo desconheceu minha miopia infantil,
minha saudade, antes absurda e urgente agora se abre em sorrisos pelo que eu vivi e não pelo que eu deixei de viver
minhas histórias, notícias, noites mal dormidas foram compartilhadas com uma rapidez impensável e uma animação embriagante
e
minhas dúvidas sobre o futuro foram esclarecidas em tarde de domingo no churrasco em família.

Com 21 anos, tornei-me adulta pelo fato de ganhar vontade de viver.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Diabo de passado.




Amanheceu e mais uma vez estou desacreditada de minha falta de coragem. Após ler nos romances aquelas mocinhas bem casadas em suas vidas cor-de-rosa, mais uma vez me deitei sonhadora e estou mais prostituta do que nunca.
Você deve pensar: “O quê? Uma prostituta que sabe ler? E prostituta lá sabe alguma coisa? Tem uma serventia e um destino: dar prazer em uma cama. E só”.
Pois eu digo que sou prostituta e sei ler. Aprecio romance francês, sei quando o filme é bom, sei quando ou jornal é sério porque aprendi a ler aquele que presta, mesmo sabendo que no fundo nenhum é digno o suficiente de leitura assídua.
Por conhecer todo tipo de conversa, das rudes às bêbadas que se dizem apaixonadas, sei também quando devo acreditar ou não. É preciso ver a cicatriz para lembrar o quanto ela doeu e na minha vida de meretriz, cicatriz de “amor” é como a sobremesa do banquete. Resolvi ser o que sou por causa dessas marcas que esticam a pele até estourar. Quando vi, minha coragem de ter futuro brilhante estacionou e com contas à pagar, resolvi seguir a sina.
Você insistiu e eu vou te contar o que eu acho do amor, mas antes eu preciso relatar a minha história. Ah, você quer ouvir? Então, seu pedido é uma ordem.
Eu era menina-moça com os meus 16 anos e ele moço-homem com seus 20 e poucos chegado do cais. Meus olhos bateram naquela pedra e me deixei levar por aquelas espumas brancas em forma de mãos, ele percebeu que a correnteza me puxou e aproveitou para enganar-me com canto de sereia. A vida era tediosa, eu ajudava meu pai de manhã com a pescaria e ia embora para a escola de tarde. Escola de meninas, minha única oportunidade de ser apreciada era no cais...logo no cais.
Desde que o vi, minha razão era encontrá-lo diante daquela paisagem digna de livros baianos. Arrumava-me toda, passava brilho no cabelo, escolhia a roupa mais curta e mais branca para contrastar com minha pele morena e ele me olhava com aqueles olhos de camaleão que mudavam de cor de acordo com meu calor.
Um belo dia, aflito de perceber minhas tantas saias rodadas diante de seu barco, me apontou uma pedra distante em formato de flecha, eu atendi o recado e fui em busca do instrumento perdido para o cupido fazer a parte dele. Lembro-me como ele veio com o rosto assustado: “Você é louca menina?” e eu respondi com uma certeza impossível de se ter aos 16 anos: “Estou apaixonada por você”, “E você sabe lá o que é isso?” “Sonho contigo, quero ficar contigo, você me olha com paixão.” “É certo que você me encanta, mas as coisas não são assim. Vou-me embora daqui uns dias, e aí, menina?” “Vou contigo, nada me prende aqui.”, “Como não? Você parece moça que sabe as letras, que sabe os números, o que vai fazer comigo?”. Depois dessa pergunta, eu resolvi dar um basta e ordenei: “Fica comigo. Pelo menos uma vez.”
Agora, reproduzindo o diálogo, eu vejo como foi inusitado. Percebi que o medo foi embora de suas palavras, pois ele chegou perto de mim e tirou a flor de meus cabelos, colocada para realizar o sonho de alguém arrancá-la de mim. Encostou os lábios no meu rosto como se sentisse o gosto de mar, e devia sentir mesmo. Suas mãos rudes encontraram minhas costas cobertas de suor nervoso e seu peito forte encontrou o meu gelado. Ele me amou como os amantes que eu lia nos livros bonitos. Ninguém nos via, não se ouvia som de mar...e o tempo resolveu descansar, assim como a minha espera.
Acordei com ele do meu lado e com o céu estrelado de verão. Meu irmão dizia que as estrelas tinham nome, desses que a língua já não sabe mais, decidi escolher uma estrela para cada sensação que aquele homem tinha me dado.
Até que ele acordou.
Sua pressa matutina de ir embora era maior do que seu fogo noturno, disse que precisava ir, a pescaria era responsabilidade dele, “acabei dormindo demais!”. Sem pensar no acontecido, me deu um beijo no rosto e disse para eu procurá-lo amanhã, como se ele precisasse dizer.
Ain, me desculpe, você pediu para eu contar de como eu comecei nessa vida...e agora eu to aqui toda chorosa, você não pagou para me ver feia desse jeito...mas uma vez eu li numa poesia que a noite e a bebida fazem a gente ficar igual diabo e aí, querido meu, o diabo é o meu passado...você não se importa, não é mesmo? Provavelmente não quer voltar para casa, pois sua vida não é nada interessante. Pois bem, continuo sem você precisar pedir.
No dia seguinte eu fui até o cais e ele me atendeu com delicadeza, ali eu achei que tudo sido bem verdadeiro, pois ele me encontrava depois do trabalho e fazia questão de me amar muitas e muitas vezes, tudo em um silêncio provocado, já que meu pai não sonhava que os passeios depois do colégio eram para encontrá-lo.
Um dia, ele não me recebeu com beijos nem abraços, disse que a gente precisava conversar e o escambal, anunciou sua partida e calçou seus sapatos. Minhas juras de amor não emocionaram e ele ainda afirmou com toda a sua covardia de homem: “Você se deitou comigo por tentação. Não tem Deus no coração. Achou que eu ia me casar com você? Vou me casar na igreja, com uma mulher que preste.”
Há, você dá risada, não? É, a sina deu certo...fiz da minha vida uma tentação.
A religião do marinheiro me fez puta.
Não sinto raiva dele, sei que eu era criança e que meu amor poderia acabar um dia se eu seguisse viagem, eu só não gostaria de encontrá-lo novamente e sendo prostituta a chance de isso acontecer era bem pequena. Apesar de todo dia achar que ele vai aparecer por essa porta e me falar que o casamento é uma droga.
O que eu penso do amor? Acredito nele. Eu leio bastante sobre essas divagações para saber logo se é ou não o que eu to sentindo. O amor construído, aquele nascimento de mãos dadas eu não conheço muito, me acostumei ao amor dos pés entrelaçados.
O que me deixou mais triste foi o marinheiro achar que meu amor não era puro. Eu o amava com o meu corpo, minha parte terrena e real, o amor concreto e revestido de suores e sussurros. Após o término do amor explodido, me deitava em seu ombro e sentia o tempo se misturar com a brisa calma. Esse meu amor era clássico, apesar de a descrição dele não estar em nenhum livro sagrado.
Ele mesmo disse “você é moça que conhece as Letras” e sei mesmo, sei que existem certas pessoas que não questionam algumas coisas, vivem de uma forma rasa e são felizes, ele era assim. Teve aquela formação comum e com pensamentos limitado, eu já não podia fazer nada.
Cheguei a conclusão de que aquilo foi amor, pois quando falo dele, é um relato longo e os detalhes são bem bonitos, ao contrário dessas minhas histórias cotidianas que duram até o último orgasmo. Você sabe que é assim, né? Não se sinta mal. Você vai voltar para a sua casa, provavelmente passará o sábado com os amigos, no domingo vai para o futebol...e vai me ligar na outra sexta-feira de novo.
Minha fala começou a ficar séria demais, não é mesmo? É que o efeito da bebida já passou faz um tempo, então começamos a escolher um pouco mais as palavras.
Eu devia suspeitar que você ia acabar dormindo depois de tanta baboseira. No fundo, você não quer saber se existe amor ou não, se ele é o sentido da vida ou não, você só queria uma boa história antes de dormir.
Sabe, você é bem bonito quando adormece assim, ainda mais com essa luz que entra pela pequena abertura da janela e faz sua pele ter mais curvas e cor. Uma pena que quando acorda, esse meu encantamento provavelmente vai embora junto com o seu amor de uma noite. Procuro entender que sua gratidão tem preço e não tem amor maior do que você dar dinheiro para a pessoa se alimentar, comprar suas vontades, pagar seu teto.
Depois que meu amor bonito acabou, sinto amor por mim mesma. Quem ama passa por cima de razões e começa a compreender melhor os princípios para poder viver esse “amor”.
Eu faço isso hoje, amo-me como nunca, pois durmo com a vontade de acordar no dia seguinte. Meu amor não é contraditório como as paixões terrenas que despertam dúvidas e delírios e não vou definí-lo como perfeito nem sublime.
Meu amor existe porque é meu. É o meu querer independente, minha falta de ar, meus gemidos, minhas realizações plenas e descansadas.
A vida me fez aprender que o amor, diferente da felicidade, não deve ser compartilhado.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Os cravos no jardim.




Os filhos.

É uma época difícil. Eu quase não saio de casa, apesar de estar na idade de passear. Vou para a escola e quando volto, minha mãe me abraça dando “graças à Deus”. Passo boa parte do tempo estudando, mas ainda não sei direito para quê. Outro dia eu fui perguntar para o professora qual era o motivo para aprender aquilo tudo, ela apontou para o quadro em cima da lousa: “Porque o excelentíssimo quer assim.”

Minha casa não é muito bonita, mas eu gosto de passar o tempo todo nela. Minha mãe é professora e me educou. Me ensinou as letras, as contas e a história. Diz que a escola vai me emburrecer. Mamãe não sai de casa também e para comer ela precisa ficar acordada até de madrugada, quando a vovó aparece e entra pela porta dos fundos. Não conheço meu pai ainda, minha mãe falou que ele foi embora para salvar o país. Ele ainda não voltou, mas eu sou feliz mesmo assim, porque eu sei que existe vida além do mar.

Eu adoro o colégio. Lá é tudo limpo e organizado. Todo dia aprendemos como respeitar os outros, como o nosso pais é poderoso, como devemos manter a paz e como somos íntegros. Aprendemos a pensar no futuro também. Foi lá que eu aprendi a escutar e obedecer. Meus pais falam que a coisa mais importante do mundo é ter orgulho de sua pátria.


Os pais.

Todo dia eu rezo sem parar. É ele colocar o pé para fora de casa e meu coração dispara. Apesar de só ter notícia boa na televisão, eu sei que acontece muita barbaridade. Meu marido trabalha a noite e sempre vê alguém sumir do nada. Não podemos contar isso pro menino, ele já tá grande, vai começar a entender. Outro dia ele me perguntou quem era ele, eu disse que era o dono do país, ele respondeu que não tem essa, que o país era de todo mundo. Dei-lhe um tapa que ficou quieto na hora. Comecei a rezar mais ainda, ele não podia começar a ter ideias diferentes. Deus me livre se sumisse também.


Sou professora e tive meu filho no meio do caos. Sei como as coisas são e decidi não mentir em nenhum momento. Ensinei tudo para ele saber exatamente o que lugar em que vivia para aprender a lutar quando chegasse a hora. Podem me chamar do que quiser, mas me recuso a viver nessa paz de merda. Meu marido não está fugido, está lutando para mudar. Meu filho sabe que o mundo será melhor quando ele olhar para a frente e não ver só o mar.


Minha casa é um poço de felicidade. Meus filhos são obedientes e sabem o valor da mulher e do homem na família. Sempre concordam com a gente, pois respeitam os mais velhos. Ensinamos que aqui é melhor lugar para se viver, pois o mundo todo está em guerra e nós gozamos de infinta paz. São os melhores da escola, pois sabem que quem tem educação de qualidade será um homem de sucesso, digno e culto.


O que há de comum em todas essas casas?

Os cravos no jardim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A arte de quem ama.




Quando resolvi ser sincera comigo e comecei a pensar de forma menos vazia.
Quando aceitei algumas impaciências diárias e percebi o valor das minhas opiniões
Você apareceu com aquele jeito “de vez...
para ficar.”
Talvez a minha confissão seja mais uma maneira de agradecer do que um estudo espontâneo sobre o amor.
Talvez a poesia saia decorada e bonita e eu me dê por satisfeita, por ser feita com verdades, independente se são diurnas ou noturnas.
Ou talvez eu pare de escrever nesse exato momento, pois sei que você vai me abraçar e jogar a folha longe porque agora é “hora de namorar”
Minha sabedoria consiste em afirmar a longa duração dos relatos sobre esse novo ser que ama.
É somente um jeito de tentar entender essa coisa amada,
que junto de mim,
se torna realidade digna de ensinamentos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Boa Vinda.




"Foi na terça e na quinta-feira"
A pressa à margem do cheiro ruim
se deixa correr disfarçada de ar gelado
nos desenhos bonitos das estrelas voadoras
refletidas no rio, no vidro, no espelho.
Um lugar que de tanto existir
hoje já parei de imaginar.
Te assustei no início com tamanha indiferença
e me recusava a entender imensa adoração.
Ninguém é capaz de amar só pelas palavras
e foi assim que desisti de não te gostar.
Meu muro feito de mar salgado, assim como seu exílio,
se desfez quando eu soube o que você cantava.
Você pede benção e se assume alegria da casa...
Pois eu também peço a minha e faço a sua poesia
anfitriã do nosso lar.