sábado, 20 de novembro de 2010

Pensamentos de uma sexta-feira cansativa




Ah, se todos soubessem como a minha vida é confusa a medida que o sono não chega
Como se adiantasse alguma coisa eu vencer essa insônia e dormir por puro cansaço.
Não.
É preciso muito pouco para me fazer acordar de novo.
Obrigação gostosa e sensação de utilidade faz eu me achar super bem resolvida.
Bobagem.
Porque é preciso sentir cada segundo na pele para resolver bem a sua vida
e eu só sinto o suor que o relógio deixa no pulso.
Você chega em casa e escuta o silêncio em cada canto devidamente limpo
com a vontade de acender a luz só pra sentir o aroma que vai pairar no ar.
Tristeza é ver a noite bonita e não sair nem na sacada.
Felicidade é acordar, te ver dormindo e perceber que o despertador ainda nem tocou.
Eu tenho uma mania desgraçada de desejar abraços quando eu sei que eles não vão aparecer.
E aí eu fico olhando pra cima
como aluno que não sabe a resposta, mas tenta enxergar o triângulo no teto.
A falta de abraço vira busca incessante por aquelas frases que estão naquele livro que está naquela casa que eu não posso ir.
Necessidade absurda de tatuar na pele o caminho melodioso de soluções.
Acho que faço o certo sem saber se ele existe ou não.
O coração chega a doer porque tá batendo bem fraquinho mesmo sem toda aquela vodka.
Falo tanto do asfalto quente e cinza, mas nunca queimei meus pés por aqui.
Eu já sei o que você vai falar
do meu exílio voluntário
de como eu não faço poesia
você vai falar sobre como eu devo mudar
Eu quero é isso mesmo
Mudar
pra qualquer lugar
com alguém sem interrogações, só pra me dizer coisas do tipo:
“ Eu gosto do jeito como você é feliz com pouca coisa...
quer um chocolate?”
ou seria melhor ir sozinha, né?
Assim, eu não ficaria triste se esse alguém esquecesse de falar isso.
Mas já é final do mês e eu to sem dinheiro.
Então eu vou é ficar aqui mesmo
e fingir que não penso em você antes de dormir
e acordar antes de começar a sonhar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dia de sol.





Meus olhos míopes giravam mais que o normal
meu corpo de mulher dançava como dançarina de caixinha de música
meus cabelos soltos grudavam na minha nuca suada.
Meu sorriso radiante não se fechava.
Eu sentia que era a vez de me despedir daquelas perguntas, cujas respostas pareciam tão distantes.
Porque não tentar? Porque não fazer? Do que eu tinha medo?
Tinha medo de muitas coisas, visto que não sabia como ia ficar, ser ou fazer,
mas era hora de me despedir disso também.
Com um último aceno eu apaguei minhas convicções.
Minha consciência estava tão falha que minha fala virou sussurro suplicante
Meus olhos antes tão ativos se fixavam em pontos isolados, como se as paredes fossem desabar e cair em cima de mim.
E por mais que você falasse, eu não acreditava,
por um segundo eu ainda queria ter o controle das minhas atitudes.
Talvez pelo fato de ter sido traumatizada com tanta responsabilidade.
Parecia tão surreal ter alguém ali tão perto.
E eu fechava os olhos e ouvia vozes angelicais...
Morri? Sonho? É verdade? Cadê todo mundo?
O dia escureceu naquele quarto
e meu coração batia tão forte que eu jurava estar perto do sol
mas e o frio? Meu corpo inteiro pedindo por água, por calor, por paralisia.
Minha cabeça batia para todos os lados e eu me perguntava porque ela não parava.
Minhas pernas nuas e inquietas sentiam o piso congelante
e eu falava, sem saber se devia ou não, mas falava
Vergonha cretina que me matava a cada lágrima indigna
em meio a tantos calores e frios, as chuvas nos olhos, no rosto.
É essa a água que abençoa? Então eu morri mesmo?
E meu sorriso antes tão aberto se fechava em dores, principalmente do passado.
Malditas frases que me chicoteavam.
E por me ferirem, acabava respondendo para exorcizar essa dor.
De repente, a força cessou.
Não lembro como, não sei porque.
E eu tinha tanto medo de acordar, só ver o breu e sentir o cheiro de solidão
que gritava por você, para me ajudar, para não me deixar sozinha ali.
sem saber que não precisava nem gritar
só segurar a sua mão.
Era só deixar você cuidar de mim.
Fechei os olhos e quando abri novamente
já não era a mesma
me despedi com um adeus doído e necessário
e me senti “bem vinda”
após abrir todas aquelas janelas,
ver que era dia
e que o sol ainda vinha...
no meu jardim florido de domingo.

sábado, 30 de outubro de 2010

Pássaro Cinza




Já posso ouvir os pássaros cantando mesmo de noite.
Engraçado como em tão pouco tempo eu percebi que pessoas ilustres não são nada mais do que pessoas ilustres.
Eu não estou acostumada a ver tantas coisas bonitas assim, de uma vez só.
Cidade que não para também tem hora pra dormir e acordar e eu a vi bocejar com vontade hoje.
Como é possível eu estar aqui com o corpo, a alma e o coração e ao mesmo tempo sentir saudade boa?
Eu sei, são só hematomas, mas para mim e para um amigo meu que falou antes de mim, são marcas que te mostram que você está viva.
E a vida corre muito rápido aqui
com essa solidão(pelo que dizem) gostosa compartilhada.
E quem disse que isso é triste?
Let it Be
e que seja assim.

domingo, 24 de outubro de 2010

Herói





Se os tempos estão mudando e você me diz, com certeza, que é bom ser inseguro, não posso voltar atrás na época em que eu acreditava ser realmente feliz. Posso?
Eu não quero te ver com olhar vazio no corredor do amor eterno.
Não mesmo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Uma vez




A primeira vez que eu te vi
Eu achei melhor não cumprimentar de uma forma muito comum
A impressão inicial é a que fica e eu não queria parecer idiota.
E você me deu esse sorrisinho maroto
como quem diz: "não se preocupe, eu te achei bonitão"
e eu resolvi saber o seu signo e ascendente.

A segunda vez que eu te vi
Você resolveu se arrumar (como se precisasse)
colocou aquele brinco emprestado da sua mãe
e levou só a identidade e a carteirinha do estudante.
Sim, vc sabia que eu era um gentleman e que eu pagaria a conta.
Sério mesmo que vc se arrumou assim para me ver?

A terceira vez que eu te vi
Você me perguntou se eu tinha um sonho
Eu respondi que a falta de tempo não deixava
e nós dois rimos, pq sabíamos que não era verdade.
Eu peguei na sua mão bem devagar
e saímos pelas ruas do centro em busca de sorvete de rosas

A quarta vez que eu te vi
Ficamos umas 2 horas na fila embaixo do sol do meio dia
mas até que elas passaram correndo
A gente não conseguiu ver nada do show
e resolveu tomar um café da manhã pq já estava amanhecendo
Não queria te levar pra casa.

A quinta vez que eu te vi
você estava bem cansada e disse que não queria sair.
fui para praça sozinho pensando se acreditava ou não
aí, você me mandou uma mensagem dizendo:
"é bom sentir saudades suas"
e eu resolvi comprar seu refrigerante favorito.

A sexta vez que eu te vi
Você resolveu chegar na minha casa de surpresa
trouxe cachaça barata e um monte de copinho plástico
disse que tinha vergonha de me perguntar certas coisas
e me perguntou se eu queria brincar.
Presente de dia das crianças.

Na sétima vez que eu te vi
eu estava realmente bravo por vc ter saido da minha casa sem avisar
você me lançou um olhar triste e devolveu minha camiseta.
disse que ia sumir por um tempo
procupar um pouco de paz, fazer um pouco de vida
e eu chorei muito bem na sua frente.

Na oitava vez que eu te vi
Você estava com um vestido florido e sandálias simples
"comprei na feirinha do centro", vc disse com o sorriso bonito.
Você contou sobre a sua viagem, do sol nordestino, das suas chefes velhinhas
eu te contei do meu novo emprego, do meu repertório, da minha saudade
e você me deu um beijo tão bom, mesmo sendo calmo.

Na nona vez que eu te vi
você me acordou antes de ir embora.
Disse que precisava trabalhar, mas que voltava e trazia algo pro jantar
Era segunda e eu não precisava trabalhar
esperei você com o cachorro quente pronto
e dormi com a geladeira aberta.

Na última vez que eu te vi
você estava naquela mesma praça com uma criança no colo
sei que não era seu filho.
você devolveu a pequena para a mãe
passou a mão nos olhos e me viu.
Deu um tchau de longe e seguiu caminho.

Às vezes eu penso, querida
Queria te ver de novo
Para te perguntar o pq vc foi embora no feriado
só para dizer que eu sonhei com você
e que você sabe onde eu moro, como eu vivo, o que eu quero.
e só você aparecer.
se você querer.

Texto inspirado na música "Last time I saw you" do Vanguart.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Refletor.




Resolveu desligar o computador três horas, a televisão estava ligada sem som, como de costume, e ela estava bem feliz por ter o sofá só pra ela. Arranjou algo na geladeira (agora sempre cheia) e deu uma risada saudosa quando recordou os tempos de bolacha com margarina.
Foi para o sofá, ficou totalmente no escuro e andou até a sacada para afastar um pouco as cortinas. Disse inúmeras vezes como odiava cortina e mesmo assim sua mãe colocou. Pensou irritada: "Na minha casa vai ser diferente" Ou não, já que como filha, herdara todas as manias da mãe, até a de colocar a toalha de rosto da cor do azulejo para o banheiro de visitas.
Silêncio vazio. Em outros tempos começaria a chorar de saudade e pensar: "A essa hora eu estaria em algum bar jogando conversa fora" e choraria mais ainda por saber que não vivenciaria isso de novo tão cedo.
Mas dessa vez não, ela escolheu ficar em casa. Resolveu alugar aquele filme e comprar aquela barra enorme de chocolate para lembrar o porque ainda quer fazer disso sua razão.
Ela ainda gosta de combinar o brinco com a blusa, de textos femininos, de clima primaveril, mas sentia que algo estava diferente.
O relógio no pulso denunciava uma certa escravidão pelo tempo, o anel em forma de flor nos dedos com as unhas mal feitas, informava uma certa delicadeza mesmo com a revelação do feio, o tênis com sola deu lugar ao tênis sem sola, é mais seguro. Dura mais.
De repente, começou a se despir.
A blusa branca caiu para fora do sofá, a bermuda jeans caiu rapidamente nos pés, o sutiã e a calcinha, devagar, saíram de seu corpo, como se tivessem vida.
Agora, nua, a diferença não estava visível e acho que ao fazer isso, ela tinha uma intenção. Descobrir o que realmente estava diferente.
Ao fechar os olhos e lembrar de dias bonitos sem derramar uma simples lágrima, ela percebeu que não chorava mais, endureceu o suficiente para aceitar que lembranças fazem parte do passado.
Abriu os olhos e tentou não pensar em futuro, no passado e muito menos no presente. Amadureceu o suficiente para perceber que o tempo não tem culpa de nada. Aliás, é ele que a ajudou a parar de chorar, ou melhor, a falta dele.
Parar de sonhar ela não fez. Não conseguiria passar um dia sem imaginar sua casinha na praia...
Será que algo realmente mudou de fato?
Não.
Ainda esperava o dia em que alguém a tirasse daquele sofá e falasse, baixinho.
"Vamos dormir na cama."

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dia de prova.




É possível perceber a falha através do olhar culpado de uma inocente atitude? Ajo com a melhor das intenções, apesar de não parecer. A falha não é intencional. Juro. Ah, se você soubesse o quanto eu penso, o quanto eu analiso antes de agir...e o quanto eu fico puta por dar tudo errado após tanta preparação. Não,não me venha com esse papo: "Faça sem pensar, siga seu coração." Hahaha, já passei da idade de ter emoções fortes.
O que eu quero provar para você? Que sobrevivo sem revoltas? Que parei de questionar? Que ainda sou difícil de compreender?
O que eu quero provar pra mim? Que essa dor é física? Que ainda sei escrever? Que você ainda gosta dos meus textos?
A verdade é que eu ando tão cansada...quando acordo, quero dormir. Quando durmo, preciso acordar. O que me mata de cansaço é a falta de motivo. E eu nem preciso de grandes motivos, basta um. Que ridículo ser assim, ficar triste por não saber o que está fazendo aqui.
Não preciso ficar aqui. Não estou nem pagando pra isso. Se pagasse, ele poderia fingir que sabe algo e eu poderia fingir que aprendo o mínimo. Aliás, aprendo mais no gramado do que aqui, mas vê o lado bom...hoje está chovendo lá fora.
E eu ainda tenho prova na quarta-feira.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dias Desvairados.





Quando eu espero o trem na estação, percebo como os meus dias passam rápido nesse lugar. É comum você ouvir os paulistanos falarem da correria, da falta de tempo. Pois eu digo que em São Paulo você não tem tempo para nada. Exceto para observar a cidade.
As linhas de trem têm nome de pedras preciosas, mas só me levam para os lugares mais carentes da cidade.
O mesmo jovem que deixa o velhinho sentar no assento preferencial no metrô é o mesmo que joga a bituca de cigarro no chão depois de entrar em vigor a Lei Anti Fumo
Falam que o shopping é a praia do Paulista, mas é só dar um feriadinho prolongado que a estrada fica engarrafada a caminho da praia.
É a cidade mais cultural do Brasil...e a que tem mais prédios também
Em uma esquina, o “Bar Brama”, que só para entrar custa 60 reais. Na outra esquina, a “Casa da Mortadela”, onde o prato mais caro não passa de 20.
Show de graça na Paulista e não tem mais ingresso 5 horas antes do espetáculo. Teatro com a peça do Fagundes por 100 reais esgotou no primeiro dia.
Tem roda de capoeira na frente de uma Galeria de ROCK.
A avenida mais famosa da cidade, tem o nome mais simples do mundo.
A cidade tem 456 anos e a sua Universidade só 76 anos.
E então, quando eu pego o metrô na linha verde, para pular para a linha azul e correr até a linha vermelha para pegar meu trem na linha turquesa, nesse aglomerado de cores, de pessoas, de climas, de segredos, de realidade, eu percebo como eu começo a não reparar mais tanto assim.
De visitante assustada, eu agora sou paulistana agitada.
E nesse ritmo de contradições, eu me sinto em casa.
Agora, São Paulo, eu passeio na tua garoa.
Agora, São Paulo, eu posso te curtir numa boa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tem que ir.





Quando eu morar na Bahia
eu faço uma música pra você.
Aí, eu vou passar em uma praça agitada
e ver meninas com saias coloridas
vou chegar no muro com a cara do Lobato
e ver meninos sem chinelo
Vou até a praia
e verei casais fazendo amor sem perceber.
Eu vou voltar do trabalho toda atarefada
e chegarei em casa cansada
Ainda vou ter uma louça pra lavar
e uma criança para ninar.
e mesmo assim,
eu ainda escrevo algo pra você.
e pra você e pra você e pra você.
Vixi! Esqueci minha caneta e meu papel e minha doença
esqueci de compartilhar a felicidade alheia
esqueci de te deixar. que pena.
E o sol anda perfeito demais
e os meus olhos estão bonitos
Soltei o cabelo só pra ver ele voar
E no final do dia,
eu escuto a voz mansinha
a coberta fininha
e espero a minha cama
virar mar.

domingo, 5 de setembro de 2010

Antologia primaveril II




"Um beijo, flor do asfalto"
Já esqueci o que posso ou não posso esconder.
Você colocou aquela música para tocar
e fez das minhas costas, sua obra de arte.
Talvez eu deva me apaixonar
Acordar e escutar sinos de igreja
"-Porque o nosso amor nasce de novo a cada noite igual a essa."
o tempo não precisa mais passar.
ele pode parar.
Minha saída
É esperar.
E falar: “Você sempre soube, querido"
Você se apega a contos infantis
E chora ao ler uma frase feita de açúcar.
Eu só queria um mar na minha frente
Jogar fios do meu cabelo
Como colares para Iemanjá.
Fazer uma arte. Fazer um pouco de vida.
Vozes angelicais me fazem companhia
O sertão é amaldiçoado
Fiz as pazes com Deus
Apesar de tudo isso,
Eu quero amar mesmo assim.