sábado, 16 de outubro de 2010

Uma vez




A primeira vez que eu te vi
Eu achei melhor não cumprimentar de uma forma muito comum
A impressão inicial é a que fica e eu não queria parecer idiota.
E você me deu esse sorrisinho maroto
como quem diz: "não se preocupe, eu te achei bonitão"
e eu resolvi saber o seu signo e ascendente.

A segunda vez que eu te vi
Você resolveu se arrumar (como se precisasse)
colocou aquele brinco emprestado da sua mãe
e levou só a identidade e a carteirinha do estudante.
Sim, vc sabia que eu era um gentleman e que eu pagaria a conta.
Sério mesmo que vc se arrumou assim para me ver?

A terceira vez que eu te vi
Você me perguntou se eu tinha um sonho
Eu respondi que a falta de tempo não deixava
e nós dois rimos, pq sabíamos que não era verdade.
Eu peguei na sua mão bem devagar
e saímos pelas ruas do centro em busca de sorvete de rosas

A quarta vez que eu te vi
Ficamos umas 2 horas na fila embaixo do sol do meio dia
mas até que elas passaram correndo
A gente não conseguiu ver nada do show
e resolveu tomar um café da manhã pq já estava amanhecendo
Não queria te levar pra casa.

A quinta vez que eu te vi
você estava bem cansada e disse que não queria sair.
fui para praça sozinho pensando se acreditava ou não
aí, você me mandou uma mensagem dizendo:
"é bom sentir saudades suas"
e eu resolvi comprar seu refrigerante favorito.

A sexta vez que eu te vi
Você resolveu chegar na minha casa de surpresa
trouxe cachaça barata e um monte de copinho plástico
disse que tinha vergonha de me perguntar certas coisas
e me perguntou se eu queria brincar.
Presente de dia das crianças.

Na sétima vez que eu te vi
eu estava realmente bravo por vc ter saido da minha casa sem avisar
você me lançou um olhar triste e devolveu minha camiseta.
disse que ia sumir por um tempo
procupar um pouco de paz, fazer um pouco de vida
e eu chorei muito bem na sua frente.

Na oitava vez que eu te vi
Você estava com um vestido florido e sandálias simples
"comprei na feirinha do centro", vc disse com o sorriso bonito.
Você contou sobre a sua viagem, do sol nordestino, das suas chefes velhinhas
eu te contei do meu novo emprego, do meu repertório, da minha saudade
e você me deu um beijo tão bom, mesmo sendo calmo.

Na nona vez que eu te vi
você me acordou antes de ir embora.
Disse que precisava trabalhar, mas que voltava e trazia algo pro jantar
Era segunda e eu não precisava trabalhar
esperei você com o cachorro quente pronto
e dormi com a geladeira aberta.

Na última vez que eu te vi
você estava naquela mesma praça com uma criança no colo
sei que não era seu filho.
você devolveu a pequena para a mãe
passou a mão nos olhos e me viu.
Deu um tchau de longe e seguiu caminho.

Às vezes eu penso, querida
Queria te ver de novo
Para te perguntar o pq vc foi embora no feriado
só para dizer que eu sonhei com você
e que você sabe onde eu moro, como eu vivo, o que eu quero.
e só você aparecer.
se você querer.

Texto inspirado na música "Last time I saw you" do Vanguart.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Refletor.




Resolveu desligar o computador três horas, a televisão estava ligada sem som, como de costume, e ela estava bem feliz por ter o sofá só pra ela. Arranjou algo na geladeira (agora sempre cheia) e deu uma risada saudosa quando recordou os tempos de bolacha com margarina.
Foi para o sofá, ficou totalmente no escuro e andou até a sacada para afastar um pouco as cortinas. Disse inúmeras vezes como odiava cortina e mesmo assim sua mãe colocou. Pensou irritada: "Na minha casa vai ser diferente" Ou não, já que como filha, herdara todas as manias da mãe, até a de colocar a toalha de rosto da cor do azulejo para o banheiro de visitas.
Silêncio vazio. Em outros tempos começaria a chorar de saudade e pensar: "A essa hora eu estaria em algum bar jogando conversa fora" e choraria mais ainda por saber que não vivenciaria isso de novo tão cedo.
Mas dessa vez não, ela escolheu ficar em casa. Resolveu alugar aquele filme e comprar aquela barra enorme de chocolate para lembrar o porque ainda quer fazer disso sua razão.
Ela ainda gosta de combinar o brinco com a blusa, de textos femininos, de clima primaveril, mas sentia que algo estava diferente.
O relógio no pulso denunciava uma certa escravidão pelo tempo, o anel em forma de flor nos dedos com as unhas mal feitas, informava uma certa delicadeza mesmo com a revelação do feio, o tênis com sola deu lugar ao tênis sem sola, é mais seguro. Dura mais.
De repente, começou a se despir.
A blusa branca caiu para fora do sofá, a bermuda jeans caiu rapidamente nos pés, o sutiã e a calcinha, devagar, saíram de seu corpo, como se tivessem vida.
Agora, nua, a diferença não estava visível e acho que ao fazer isso, ela tinha uma intenção. Descobrir o que realmente estava diferente.
Ao fechar os olhos e lembrar de dias bonitos sem derramar uma simples lágrima, ela percebeu que não chorava mais, endureceu o suficiente para aceitar que lembranças fazem parte do passado.
Abriu os olhos e tentou não pensar em futuro, no passado e muito menos no presente. Amadureceu o suficiente para perceber que o tempo não tem culpa de nada. Aliás, é ele que a ajudou a parar de chorar, ou melhor, a falta dele.
Parar de sonhar ela não fez. Não conseguiria passar um dia sem imaginar sua casinha na praia...
Será que algo realmente mudou de fato?
Não.
Ainda esperava o dia em que alguém a tirasse daquele sofá e falasse, baixinho.
"Vamos dormir na cama."

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dia de prova.




É possível perceber a falha através do olhar culpado de uma inocente atitude? Ajo com a melhor das intenções, apesar de não parecer. A falha não é intencional. Juro. Ah, se você soubesse o quanto eu penso, o quanto eu analiso antes de agir...e o quanto eu fico puta por dar tudo errado após tanta preparação. Não,não me venha com esse papo: "Faça sem pensar, siga seu coração." Hahaha, já passei da idade de ter emoções fortes.
O que eu quero provar para você? Que sobrevivo sem revoltas? Que parei de questionar? Que ainda sou difícil de compreender?
O que eu quero provar pra mim? Que essa dor é física? Que ainda sei escrever? Que você ainda gosta dos meus textos?
A verdade é que eu ando tão cansada...quando acordo, quero dormir. Quando durmo, preciso acordar. O que me mata de cansaço é a falta de motivo. E eu nem preciso de grandes motivos, basta um. Que ridículo ser assim, ficar triste por não saber o que está fazendo aqui.
Não preciso ficar aqui. Não estou nem pagando pra isso. Se pagasse, ele poderia fingir que sabe algo e eu poderia fingir que aprendo o mínimo. Aliás, aprendo mais no gramado do que aqui, mas vê o lado bom...hoje está chovendo lá fora.
E eu ainda tenho prova na quarta-feira.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dias Desvairados.





Quando eu espero o trem na estação, percebo como os meus dias passam rápido nesse lugar. É comum você ouvir os paulistanos falarem da correria, da falta de tempo. Pois eu digo que em São Paulo você não tem tempo para nada. Exceto para observar a cidade.
As linhas de trem têm nome de pedras preciosas, mas só me levam para os lugares mais carentes da cidade.
O mesmo jovem que deixa o velhinho sentar no assento preferencial no metrô é o mesmo que joga a bituca de cigarro no chão depois de entrar em vigor a Lei Anti Fumo
Falam que o shopping é a praia do Paulista, mas é só dar um feriadinho prolongado que a estrada fica engarrafada a caminho da praia.
É a cidade mais cultural do Brasil...e a que tem mais prédios também
Em uma esquina, o “Bar Brama”, que só para entrar custa 60 reais. Na outra esquina, a “Casa da Mortadela”, onde o prato mais caro não passa de 20.
Show de graça na Paulista e não tem mais ingresso 5 horas antes do espetáculo. Teatro com a peça do Fagundes por 100 reais esgotou no primeiro dia.
Tem roda de capoeira na frente de uma Galeria de ROCK.
A avenida mais famosa da cidade, tem o nome mais simples do mundo.
A cidade tem 456 anos e a sua Universidade só 76 anos.
E então, quando eu pego o metrô na linha verde, para pular para a linha azul e correr até a linha vermelha para pegar meu trem na linha turquesa, nesse aglomerado de cores, de pessoas, de climas, de segredos, de realidade, eu percebo como eu começo a não reparar mais tanto assim.
De visitante assustada, eu agora sou paulistana agitada.
E nesse ritmo de contradições, eu me sinto em casa.
Agora, São Paulo, eu passeio na tua garoa.
Agora, São Paulo, eu posso te curtir numa boa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tem que ir.





Quando eu morar na Bahia
eu faço uma música pra você.
Aí, eu vou passar em uma praça agitada
e ver meninas com saias coloridas
vou chegar no muro com a cara do Lobato
e ver meninos sem chinelo
Vou até a praia
e verei casais fazendo amor sem perceber.
Eu vou voltar do trabalho toda atarefada
e chegarei em casa cansada
Ainda vou ter uma louça pra lavar
e uma criança para ninar.
e mesmo assim,
eu ainda escrevo algo pra você.
e pra você e pra você e pra você.
Vixi! Esqueci minha caneta e meu papel e minha doença
esqueci de compartilhar a felicidade alheia
esqueci de te deixar. que pena.
E o sol anda perfeito demais
e os meus olhos estão bonitos
Soltei o cabelo só pra ver ele voar
E no final do dia,
eu escuto a voz mansinha
a coberta fininha
e espero a minha cama
virar mar.

domingo, 5 de setembro de 2010

Antologia primaveril II




"Um beijo, flor do asfalto"
Já esqueci o que posso ou não posso esconder.
Você colocou aquela música para tocar
e fez das minhas costas, sua obra de arte.
Talvez eu deva me apaixonar
Acordar e escutar sinos de igreja
"-Porque o nosso amor nasce de novo a cada noite igual a essa."
o tempo não precisa mais passar.
ele pode parar.
Minha saída
É esperar.
E falar: “Você sempre soube, querido"
Você se apega a contos infantis
E chora ao ler uma frase feita de açúcar.
Eu só queria um mar na minha frente
Jogar fios do meu cabelo
Como colares para Iemanjá.
Fazer uma arte. Fazer um pouco de vida.
Vozes angelicais me fazem companhia
O sertão é amaldiçoado
Fiz as pazes com Deus
Apesar de tudo isso,
Eu quero amar mesmo assim.

sábado, 28 de agosto de 2010

Uma flor morreu na rua.




"Amou daquela vez como se fosse a última"
Chico Buarque - Construção.

- Olha lá o corpo estendido no chão. (Homem 1)
-Parece que foi atropelamento.( Mulher )
-Ah, mas ela atravessou na faixa.( Homem 2)
- Mais ou menos, vai, tava quase na faixa. (Homem 1)
- Ela devia ta com fone de ouvido. Esses jovens são tão distraídos (Mulher )
-Vamos chegar mais perto? (Homem 2)
- Vamo Vamo. Quem sabe a gente não ajuda, né? (Homem 1)
- Ou fica sabendo de mais alguma coisa, né? (Mulher)
O trio se junta a multidão ao redor do corpo adolescente. A menina desmaiada com a mochila nas costas tinha ferimentos nos braços e na cabeça. Usava uma blusa xadrez com um bottom preso nela com os dizeres: "All you need is love". Ela ainda estava com os fones de ouvido.
O motorista do ônibus estava desesperado , aos berros: "Eu não tive culpa! o farol tava aberto, ela atravessou fora da faixa. Ela achou que eu ia parar!"
-Nossa, ela era mocinha...(Mulher)
- Você imagina o sofrimento da mãe quando souber...(Homem 1)
- Mas ela ta morta? (Homem2)
- Ah, olha a quantidade de sangue que tem no asfalto, acho que morreu sim.(Mulher )
- Ah, mas a menina é grandona, olha. Deve aguentar o tranco, ser porreta. (Homem1)
-Mas é um ônibus, mano! Um ônibus. (Homem 2)
O resgate chegou e foi aquele alarde. Mandaram todo mundo se afastar, barulho de sirene. Carros parando. A menina atrapalhou o tráfego. Tiraram a mochila com cuidado e a jogaram próximo ao trio observador "Vê se tem algum documento aí". Gritou o moço de laranja.
- Vixi! Que mochila pesada! Nossa, quanto livro, véi! (Homem2)
- Olha o caderno dela! Ué, mas só tem texto pequeno...nossa, é poesia, olha. (Mulher)
- Será que ela era famosa? Será que ela tem livro? (Homem 1)
- Vê se tem alguma coisa dentro dos livros! Pega a carteira dela! (Homem2)
- Achei uma foto dentro de um dos livros...que bonito. Deve ser o namorado! (Mulher)
- Achei a carteira dela! Ela tem convênio (Homem2)
-Ela é estudante, óh...ai, que dó, meu Deus. (Homem1)
-Tem algum telefone? (Mulher)
- Não...só foto 3X4 dela e uns 10 reais. (Homem 2)
-Acharam alguma coisa aí? Pergunta o homem de laranja.
- Ela tem convênio, pode levar para hospital particular. (Mulher)
- Não será necessário, a menina faleceu. (homem de laranja)
Silêncio triste.
- Pega o celular dela, vê se tem alguma ligação, vê se tem número dos pais (Homem 1)
- Ela ligou para um "guri". Ela era do Sul? ( Mulher mexendo no celular)
- Acho que era, porque naquela foto tinha uma data e o nome do lugar, que era lá no Sul.
Enquanto discutiam para quem avisar da morte, recolheram seus objetos pessoais e colocaram dentro de um saco plástico.
- Anota aí, hora do óbito: 17h. Objetos: Um escapulário, um crucifixo, um pingente com símbolo do infinito, um brinco em formato de pena, um anel em formato de flor, óculos...( Homem de laranja)
- Crucifixo? Era católica? (Homem de laranja 2)
- Acho que sim, mas junto com o infinito? Será que era espírita? (Mulher de laranja segurando o saco)
- Nossa, não viaja! Continua anotando aí, fone de ouvido...( Homem de laranja)
Tinha gente que chorava, gente horrorizada, gente curiosa, gente indiferente e tinha sol. Muito sol. Um sol que a menina nem sentia mais.
- É, essa aí não volta nunca mais, né? (Homem 1)
-Ih...esse aí já vai filosofar (Mulher)
- Será que tinha alguém esperando ela em casa? (Homem 1)
-Bem, agora não precisa mais esperar, né? Ela não vai mesmo... (Homem2)
- Nossa, como vc é, Só por Deus! (Mulher)
Nisso, cobriram a menina com um pano branco.
- O que será que vão escrever na lápide dela?( Homem 1 que realmente gostava de fazer perguntas filosofais)
- Ah, aquela coisa de sempre, "Filha dedicada. Viveu e Amou" (homem 2)
- Amou? Será que aquela foto era do namorado dela? (Mulher)
- Ah, era uma foto especial, sabe? A gente não coloca data em foto qualquer, só em qual a gente não quer esquecer e tinha um cara na foto...sei lá (Homem 1)
- Vai ver ela tava com pressa para encontrar alguém. (homem 2)
- Que música será que ela tava escutando? ( Homem 1)
- Circulando, pessoal. o trânsito precisa continuar, vamos! (Guarda de trânsito)
- Não sei porque as pessoas ficam tão chocadas com acidentes, milhares de pessoas morrem assim todos os dias, parente nem ficam sabendo, a mídia não fala. São todos desconhecidos. (Guarda de trânsito 2)
Naquele fim de tarde de sexta, a menina esperava chegar mais cedo em casa para se arrumar e ir para a faculdade. Ela nunca ia para a faculdade de sexta, mas excepcionalmente neste dia, ela ia. Ela atravessou correndo porque já estava atrasada para pegar o trem. Nem notou o ônibus vindo em sua direção. Estava absorta em seus pensamentos e escutando músicas lindas que um moço tinha mandado pra ela uns dias antes, ela tava ansiosa para agradecer esse moço pelas músicas, ansiosa pelas aulas, ansiosa pelo final de semana que estava chegando, ansiosa para chegar em casa e comer um bom sanduiche, ela tava ansiosa para pular ondas no ano novo, ela tava com pressa de viver.
Uma vez, a menina ouviu de uma amiga, em tom de despedida:
"Um beijo, flor do asfalto"
A partir de então, comprou um anel em formato de flor, para levar nas mãos todas elas.

Quando a menina atravessava a rua, um anjo iluminado cantava em seu ouvido:

"Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver"

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tudo azul.




Fiz as pazes com Deus
Não vou usar provérbios para justificar meu ato
nem agradecê-lo.
Só entendi o recado
Entender não é o mesmo que aceitar
mas eu cansei de discutir
por enquanto.
É inútil dormir quando ainda é noite
se você acorda antes do Sol.
Ele veio? Eu o vi?
Se o céu existe
ele é azul

domingo, 1 de agosto de 2010

Amanhã.





"Você não cansa de esperar?"
"Não, eu não canso...
eu preciso esperar. Faz parte do plano"
Não espero cair do céu.
Só espero o tempo passar.
Pernas cansadas.
Falta de ar.
"E depois?
Quando você alcançar?
Quando não tiver mais nada para esperar?"
Simples...
o tempo não precisa mais passar.
ele pode parar.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Hoje.




Hoje eu só quero ouvir músicas com letras complicadas em uma língua conhecida, mas pouco explorada.
Imaginar uma vida com aventuras machucantes.
Perceber que posso tocar a mão do Diabo e conversar com Deus.
Não usar tantos verbos infinitivos.
Não coincidir.
Dormir olhando para olhos quase fechados esperando palavras confusas e simples.
Hoje eu só queria cantar. Bem baixinho.
Mas eu preciso de um violão. Quem sabe assim a gente até não grava alguma coisa.
Lê aquele seu texto em voz alta.
Faz uma arte. Faz um pouco de vida.
Beber qualquer bebida amarga só para ver as sobrancelhas juntas juntamente com os sorrisos largos.
Eu grito de tanto amor por alguéns.
Sabe, é a minha última noite aqui.
Aproveita e fala tudo o que você quiser. Me ajuda.
Faz de conta que a madrugada é infinita.
O não desejo foi engolido na paisagem bonita de um passado espantoso.
Lua branca,
devolve meus desejos.
e leva embora a minha cruz.