quarta-feira, 22 de julho de 2009

É pouco


Aquilo que não tem nome
você luta, você pensa que está certa
mas não é forte o suficiente
nem convincente demais.
O ruim não é só pensar no passado
é ver que você se sentia mais leve
mesmo sem decorar frases bonitas ou provérbios antigos.
Eu queria voltar para casa
só para saber quem mudou
e agradecer às coisas que nunca mudam.
É, não tem nome.
A casa não é minha
o dinheiro não é meu
meu caminho é diferente.
e mesmo assim,
eu sei quem eu sou.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Virtude?



A voz já não chama.
o fogo simplesmente silencia.
...
Não sei o que fazer.
Aprendi a escrever sobre um assunto
e agora, perdi meu lápis.
Os poetas não tem paciência
e eu vejo os ponteiros parados.
Sabe o que é pior?
Eu quero ser poeta.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Inspiração.




Quando nasce a alvorada
vou até o jardim mais próximo.
Corto minhas raízes
e me banho com flores.
Quando penso nas horas que seguem
te imagino ansioso, bonito.
A me esperar.
O trem chega e simplesmente me leva.
Não apareço na hora exata
entro sem tu saberes.
Assim, tudo faz mais sentido
E às 15 para a cor de rosa
somos um só jardim.
"A paz se instaura".

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Movimento.






Era saturno

uma imensa pista de dança?

Com o neon natural e uma sonoridade interiorana

Eu dançava...
a lua nos conduzia.

Inquestionável

o frio que nos cercava

o vinho que não esquentava

a liberdade

que eu sentia.

Entre nossos pés

pura poesia molhada.

Eu via de braços abertos

o PRESENTE que a cada segundo

já virava passado.

Encare meu semblante colorido

e eu recebo seus lábios tintos.

Me tire para dançar

nessas noites tão...

saturnas.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mais que nada.


Cantar músicas com maquiagem preta.
Enxergo borrões e o vento seca meus cílios.
Uso meus pés sozinha.
Você me parece tão inteligente
palavras que eu entendo
escritas em um livro que eu queimei.
Não fale...
Esses signos arrependidos
não existiam na extensão da estrada.
Não olhe...
Use suas mãos ternas
e descubra pelo meu sorriso
a minha paixão pelas cores.
Não pense...
esses julgamentos injustos
não floresciam perante a saudade.
Próximos,
beijo é som da voz
e eu preciso tirar a maquiagem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Primeira vez



Quando você me tocou

com novas mãos

Eu sabia que raramente ia te sentir outra vez.

Você é o que eu tenho de mais vivo

e ao mesmo tempo

só existe naquela época.

É diferente agora

e eu posso me arrepender

Mas eu faria tudo para voltar

e sentir suas mãos novas

presas em mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Silenciosa Sinfonia



“Quando guardou o violino na caixa e se afastou pelas ruas mortas sem olhar para trás já não achava que ia embora na manhã seguinte, e sim que tinha ido embora há muitos anos com a disposição inabalável de não voltar nunca mais”.

O amor nos tempos do cólera – Gabriel Garcia Márquez


Calor. Muito calor. O sol estava tão quente que os cabelos negros se azularam quando os ponteiros se juntaram no número 12.
Toda vez que a via estava sol. Era como se aquele fogo que vinha dos céus manifestasse o sentimento daquele pobre rapaz apaixonado.
Era um amor inventado, nunca pensou em perguntar o nome da garota ou saber de seus interesses. Só poderia olhá-la, como uma obra de arte recém descoberta.
Por usar somente o olhar, ele aguçou esse sentido, reparou nas mechas que nunca estavam presas com o coque e nas unhas mal cuidadas; percebeu também que seus seios eram grandes, e concluiu que não se tratava de nenhuma mocinha.
Ele trabalhava como ajudante na feira da cidade. Empacotava os repolhos com uma rapidez invejável — seu tato também foi obrigado a ser treinado.
Um dia ela resolveu comprar repolhos.
“E agora?” Pensou o rapaz. “Ela não pode me ver. Se ver, é bem capaz que fale comigo... Ela não vai me entender”.
A torcida foi em vão, a mulher foi até a barraca e comprou repolhos.
Seus olhares se cruzaram uma ou duas vezes, o menino fingiu estar ocupado, mas não pode deixar de reparar no sorriso. Parecia uma onda que, ao chegar nos olhos do garoto, se desmanchava.
Após aquele dia, o garoto passou a segui-la. Sentia-se um criminoso assim; ele não tinha o direito de invadir a vida da garota, descobrir onde morava, essas coisas. Sabia que se fosse uma vez à casa dela, iria sempre. Começou assim na feira: antes era um consumidor de maçãs, bananas, repolhos; ao perceber que ela ia diariamente, resolveu arrumar um emprego para vê-la todos os dias.
Ela morava num sobrado azul, perto da feira, numa rua tranqüila durante o dia, quem dirá à noite. Um bairro nobre com pinheirinhos na frente de cada residência. Como já estava no fim da tarde, os raios cor-de-rosa faziam seus cabelos brilharem ainda mais. Sua casa estava agitada, tinha três carros na garagem. Ela entrou na casa, e arrebatada por uma maré de surpresa, seu sorriso litorâneo se alargou e seus olhos ficaram pequeninos. Recebeu o abraço de um homem alto e com mãos velhas, vestido todo de branco. O menino se sentiu um intruso e achou melhor não olhar a festa da família, até porque percebeu que era uma comemoração. Foi embora com as mãos para trás. Não tinha nada para festejar.
Na manhã seguinte, ela apareceu na feira novamente, mas dessa vez algo estava incomum em seu corpo. Ele sempre reparava nela inteirinha quando colocava os pés na feira. Levava os sete mares no sorriso. O garoto estava com medo de tanta felicidade e resolveu usar a pouca coragem que restava; ao olhar a mão direita da moça reparou a aliança dourada, dessas que ele só via quando fazia entregas nos restaurantes chiques da cidade.
Fazia sol naquela manhã, como em todas as outras, mas pela primeira vez o garoto sentiu um frio estranho e até sua visão que nunca o deixou na mão falhou, pois o mar que saía de seus olhos era violento. Era duro aceitar que esse dia chegaria, a menina não sabia da existência daquele sentimento, era livre para escolher o partido que quisesse, ele era apenas o menino de cabelos muito negros que vivia calado, empacotando os repolhos. Um Odisseu covarde que não teve coragem de romper as cordas da garganta para acompanhar sua sereia.
Voltou para casa já sem esperanças, poderia escrever para ela, mas ela não acreditaria, poderia ir até a casa dela fingir uma entrega e tentar demonstrar que ela não era apenas uma cliente, mas esta também não era uma boa idéia. Sentou no chão da sala humilde e olhou a coleção velha de discos da mãe, lembrou de quando ele ainda era um garoto e podia escutá-los até tarde. Pegou um dos discos e olhou com um quê de descoberta.
Pegou o violino já um pouco velho na estante e seguiu para a rua da moça.
Estava uma noite calma, sentiu o silêncio e o olhar da Lua, grande e pensativo. Ela era cúmplice de que tudo o que ele estava fazendo, era somente por amor. Sabia que ao tocar aquele instrumento, todas as lembranças de um passado feliz e que não volta iam torturá-lo. A Lua o ajudou a passar por cima do que foi para conquistar o que poderia vir.
Encostou o violino no pescoço e começou a tocar. Estava escondido, não queria que ela o visse!
Ele sabia que a música ecoava pelo asfalto, sentia a vibração de cada nota apaixonada, olhava para a sacada com a certeza de que ela apareceria para ouvir aquela música que ele tocava para ela, só para ela.
Ela saiu na sacada, radiante; usava uma tiara azul, da cor do mar! Era como se ela adivinhasse que ele estava ali, era a última chance de ele dizer através da música o quanto a amava...
A música foi interrompida por um ronco de motor que se encostava ao portão.
Ele viu no olhar da moça a animação, mas mesmo assim não parou de tocar.
Olhou seus lábios falarem algo como “Linda a música, não? Não sei de onde vem...” e o homem que a pegara nos braços respondeu: “Se você quiser, um dia toco para você”.
O menino não queria, mas não sentiu mais força nos braços e parou de tocar. A única forma de ele demonstrar o que se passava no seu coração com uma melodia impecável, o jeito mais bonito de falar que tudo o que ele sentia era verdadeiro e que só não disse antes por que era fisicamente impossível, foi interrompido por um ruído asqueroso e insensível.
Ele sabia que ela casaria com um homem bom, que sempre estaria ali com as palavras certas para confortá-la se fosse preciso.
Foi infantil da sua parte pensar que ela não o amaria, mas mesmo assim não arriscou, preferiu não falar de outras formas.
No dia seguinte não teve feira.
Estava chovendo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

última vez.




Um piano azul-marinho, com notas não decoradas.
A música na cabeça...
eu finjo estar em um filme
sem falas.
Crio na minha realidade inventada
tantas vezes motivo de risada
a minha forma de dizer "Até logo"
Acordada
eu sonho com um lugar imenso
cheio de ruas e nuvens
com suas mãos nos meus cabelos.
Dormindo
A brisa atravessa os fios metade ouro, metade lata
Jogo minhas felicidades em um mar forte
que arranca meu calor
e me cobre do frio.
Seu último sol
brilhou pra mim.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pensamentos de quinta-feira.




A tarde já acabou
o livro está no final;
Espero dezembro chegar
mas só sou feliz no carnaval.

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Os riscos são mais fortes
e menos alinhados
A sorte chama
basta estar acordado.

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A blusa florida
a saia de renda
Cadê o sol?
A gente inventa.

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Você prende meus braços
eu te olho com entusiasmo
A cama range, isso é fato.
De manhã
o café está gelado.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Idade Maior.


Aos 18 anos, ela cortou o cabelo comprido. Sempre foi de fazer promessas, mas fazia a longo prazo e perdia a paciência de cumprir.
Aos 18 anos, ela aprendeu a ter paciência.
Aos 18 anos, ela viu o nome dela em uma lista no jornal. Nunca apareceu no jornal, sempre foi muito discreta, não gostava de chamar a atenção mesmo...
Aos 18 anos, ela passou uma semana na maior cidade do país. As imagens ainda estão no coração dela.
Aos 18 anos, ela chegou na capital.
Aos 18 anos, ela arrumou um lugar novo para morar, tinha uma ponte linda, um vento gostoso...
Aos 18 anos, seu quarto ficou menor, mas a amizade era gigante.
Aos 18 anos, ela acordava com uma alegria diferente, como se sua vida fosse poesia.
E era.
Aos 18 anos, ela conheceu um novo jardim muito jovem e muito lindo. As pétalas das flores eram radiantes, ela sorria só de vê-las.
Aos 18 anos, ela deixou de ser sedentária...e começou a dar MUITO valor as passagens de ônibus.
Aos 18 anos, ela adorava andar de elevador, principalmente ir no quinto andar. Era como se certos sonhos dela se realizassem ao abrir uma porta amarela, bem no final do corredor. Era uma das melhores horas do dia.
Aos 18 anos, ela comemorou o primeiro dia dos namorados.
Aos 18 anos, ela dava risadas com seus irmãos mais velhos no carro de um deles, uma das melhores lembranças que ela leva no coração.
Aos 18 anos, ela vestiu um uniforme branco e o hospital virou sua sala de aula.
Aos 18 anos, ela sujou suas calças jeans 32 vezes por causa da chuva.
Aos 18 anos, ela sentiu saudades.
MUITAS saudades.
Aos 18 anos, ela assistiu os melhores filmes de graça, todas as quintas-feiras às 18:30h.
Aos 18 anos, ela assistiu dois shows em um só. Foi inesquecível.
Aos 18 anos, ela ganhou um autêntico tsuru da Liberdade.
Aos 18 anos, ela começou a fazer academia escutando música sem parar.
Aos 18 anos, ela experimentou cereal com yogurte e gostou.
Aos 18 anos, ela brigou muitas vezes com os pais e percebeu que os amava mais que tudo.
Aos 18 anos, ela percebeu que um ano passa rápido e o amor só cresce.
Aos 18 anos, ela fez um blog.
Pela primeira vez, pessoas leram seus textos. Ela ainda tem um pouco de vergonha disso.
Aos 18 anos, ela lavou seu banheiro.
Aos 18 anos, ela assistiu uma aula de Direito Romano.
Aos 18 anos, ela viu uma super peça do Nelson Rodrigues.
Aos 18 anos, ela chorou de saudades de casa.
Aos 18 anos, ela é uma mulher.
Aos 18 anos, ela descobriu as vantagens de viajar com ônibus executivo.
Aos 18 anos, ela gostava de acordar cedo e ir na Beira-Mar andar.
Aos 18 anos, ela engordou, emagreceu, engordou, emagreceu.
Aos 18 anos, ela ficou sabendo que ia embora da Ilha.
Aos 18 anos, ela enfrentou o centro urbano com muito medo, mas enfrentou.
Aos 18 anos, ela chorou ao ouvir uma ópera italiana.
Aos 18 anos, ela voltou a usar óculos.
Aos 18 anos, ela leu 154698745236987451369985446895416 folhas de xerox.
Aos 18 anos, ela comeu laranja e farofa. E gostou.
Aos 18 anos, ela enfrentou filas e mais filas.
Aos 18 anos, ela foi de novo para a maior cidade do país, ela e mais 40 pessoas.
Aos 18 anos, ela gostava de caminhar pelas árvores, perto da biblioteca, só para ver aquele pátio gigantesco, sua nova casa.
Aos 18 anos, ela começou a tomar café.
Aos 18 anos, ela aprendeu umas frases em espanhol como "No me gusta."
Aos 18 anos, ela teve conversas sem censura, risadas maliciosas, perguntas indiscretas e respostas reveladoras.
Aos 18 anos, ela percebeu como é bom ser sua melhor companhia.
Aos 18 anos, ela gostou de não ter cortina no quarto, podia ver o céu toda vez que acordava.
No último dia com 18 anos, ela se despediu da antiga idade com cabelos novos, sentindo o sol queimar na pele e com uma vontade intensa de andar por aquele chão que sonhou tanto em pisar.
Nos últimos segundos com 18, ela sabe que sua vida vai mudar.
Agora, ela tem 19.
Mas foi aos 18 que ela se viu pela primeira vez,
Maior.